A falta do Dr. Roberto Kikawa durante uma pandemia

Hoje, 16 de abril, o fundador da Fleximedical, Roberto Kikawa, completaria 50 anos. Mesmo na ausência dele, após sua trágica perda, a equipe da Fleximedical têm se mantido fiel em manter o legado do “DNA do Amor” implantado por seu criador.

Somos genuinamente parte do legado dele e nos honramos disso. Seguiremos firmes no propósito de levar soluções de saúde para vários lugares.

#vivonodnadoamor

(Veiculado também na Folha de S. Paulo)

A falta do Dr. Roberto Kikawa durante uma pandemia

* Ricardo Lauricella

Neste 16 de abril, o empreendedor social e médico, Roberto Kikawa, completaria 50 anos. Dr. Roberto foi assassinado em 10 de novembro de 2018, em uma tentativa de assalto no bairro do Ipiranga, São Paulo.

A data de seu aniversário me fez pensar no que ele estaria fazendo caso ainda estivesse vivo, diante da situação do coronavírus.

Durante os 10 anos em que trabalhei ao seu lado, na Associação Beneficente Ebenézer, nos desafiamos o tempo todo para sermos disruptivos na criação de um modelo de negócio de impacto na área da saúde. O modelo passou por muitas transformações e, o obstinado Dr. Kikawa chegou a ser premiado pelo Fórum Econômico Mundial, por sua iniciativa de levar atendimento médico especializado, em unidades móveis como Carretas de Saúde, Vans e Contêineres para mais de 2 milhões de pessoas.

Um médico sem partido político, o visionário Roberto transitou muito bem na esfera pública e privada. Com forte atuação na saúde suplementar e nas áreas de responsabilidade social das empresas, Dr. Kikawa entendeu que, no Brasil, seu apoio deveria estar fortemente vinculado ao Sistema Único de Saúde pois é o responsável pelo atendimento de 80% da população brasileira.

Esse entendimento o levou a estudar profundamente o sistema público de saúde, não só em questões como as proporções de leitos por habitantes nas diferentes regiões do Brasil quanto as regras e normas administrativas da gestão pública.

Por muito tempo o exemplo de atendimento médico em unidades móveis foi fortemente questionado. Havia quem dissesse que não era uma solução para as grandes filas de espera e, que deveria ser apenas uma solução para momentos de guerras ou pandemias.

Pois bem, é inegável o fato de a iniciativa ter diminuído a demanda reprimida por consultas, exames e cirurgias e, mesmo assim, no atual momento, o modelo proposto pelo médico se mostra uma solução rápida, eficiente e de baixo custo.

Foram mais de 160 unidades móveis e fixas de saúde especializadas em atuação em diferentes regiões de diversos estados brasileiros e, até mesmo, em Atlanta (EUA). Unidades equipadas com a mais alta tecnologia, fruto de parcerias intersetoriais, mas, sobretudo, com uma equipe treinada no que chamávamos de “DNA do Amor”.

O DNA do Amor era mais do que uma proposta de marketing. Era o cerne da atuação de cada profissional que trabalhava em condições adversas, sem o conforto de uma grande estrutura de alvenaria. Era este mesmo DNA que Roberto introjetava, de forma serena e equilibrada, em todos os seus parceiros e colaboradores. Ele incentivou inúmeros profissionais a darem mais de si por um objetivo em comum: saúde para todos.

Neste momento de pandemia Roberto já tinha, na palma de sua mão, um belo e eficiente projeto de Hospitais de Campanha modulares, com unidades de atendimento satélite, tudo num prazo de 20 dias, incluindo telemedicina, prontuário eletrônico e até mesmo a associação do que chamou de Programa Médico Preventivo.

Se ainda estivesse vivo, estou convicto de que semanas atrás ele já teria criado inovações aplicáveis velozmente e, com baixo custo, para quem quer que precisasse na esfera pública e privada além de gratuito para os pacientes do SUS.

Dr. Roberto fez muito, e faz muita falta.

* Ricardo Lauricella é gestor executivo que atua no terceiro setor há mais de 15 anos

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