iseli reis

Carreta da Saúde é solução para acesso à saúde

A pandemia evidenciou o uso de unidades móveis como uma solução rápida e eficaz para aumentos súbitos na fila de espera por exames, consultas e cirurgias

A Fleximedical é uma startup que tem como compromisso democratizar o acesso à saúde por carretas, contêineres, ônibus e vans. Isso pois, em muitas regiões onde a construção de uma unidade fixa geraria altos custos, as unidades móveis podem ser uma solução rotativa, de forma a manter a baixa fila de espera, sem gerar excessos de gastos financeiros contínuos, sendo projetadas e preparada com mais agilidade do que uma obra em alvenaria.

Criada pelo médico e empreendedor social, Roberto Kikawa, em 2005, A Fleximedical construiu o maior hospital sobre rodas do mundo, em 2008. Em estruturas de carretas customizadas, são adaptadas salas para consultas, exames e cirurgias de baixa e média complexidade para atender as pessoas em filas de espera, principalmente do Sistema Único de Saúde-SUS.

logo fleximedical

“Todas as nossas unidades são feitadas respeitando a RDC-50, norma que regulamenta a construção de projetos de serviços de saúde”, explica a arquiteta hospitalar e CEO da Fleximedical, Iseli Reis.

Até hoje mais de 60 unidades móveis de saúde foram confeccionadas para atendimentos de oftalmologia (incluindo consultas, exames e cirurgias como de catarata e pterígio); ginecologia, mamografia digital, Papanicolau; urologia, gastroenterologia (endoscopia digestiva e colonoscopia); além de exames de ultrassom, tomografia, odontologia, audiometria, laboratoriais, pesquisa clínica, vacinação, testagem, entre outros.

As unidades desenvolvidas são usadas em programas públicos de saúde como o Hora Certa Móvel, o Corujão da Saúde e o Doutor Saúde, da Prefeitura Municipal de São Paulo; o Mulheres de Peito, do Governo do Estado de São Paul; além do uso em outros municípios e estados, através de OSCs (Organizações da Sociedade Civil), de Universidades empresas.

Negócio Social

A Fleximedical faz parte do ecossistema de negócios de impacto, ou seja, aqueles que têm o claro compromisso e intenção de endereçar desafios de problemas sociais com sustentabilidade econômica.

Neste aspecto, a Fleximedical, que possibilitou o atendimento direto de mais de 2 milhões de pacientes, já recebeu prêmios de design e tecnologia social. Foi reconhecida e participou de acelerações em iniciativas como Artemísia Lab; Quintessa; Braskem Labs; CIETEC (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia, da USP); SEBRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas); FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e Pipe Social.

Faz parte ainda de duas das maiores redes de impacto do mundo, o Sistema B — para empresas da iniciativa privada, com o propósito de contribuir para a solução de problemas sociais e ambientais, e a Rede Yunus Negócios Sociais — criada pelo vencedor do Nobel da Paz e “pai” do microcrédito, Muhammad Yunus.

Perda do fundador

Com a morte do fundador, Roberto Kikawa, em uma tentativa de assalto no bairro do Ipiranga (SP), a então COO da Fleximedical, Iseli Reis, se viu diante de um enorme desafio. “A perda do Roberto foi muito pesada para nós. Não apenas pela tragédia de perder alguém tão especial para todos nós, como perder o meu grande mentor, que ensinou o que era ter o ‘DNA do Amor’ e era a bússola de nosso posicionamento”.

Diante do dilema de manter a Fleximedical em pé, ou fechar as portas, o compromisso assumido foi de ir adiante. “Conversei muito com o nosso conselho e, decidimos que a melhor forma de honrarmos o Roberto, era seguir em nossas atividades para que mais pessoas tivessem acesso à saúde, por nossas unidades móveis. Esse era o legado dele e, é também o nosso!”, emociona-se Iseli Reis.

A partir daquele momento foi preciso revisitar o plano de negócios da empresa que, até então, tinha em um único cliente, o CIES Global, mais de 95% de suas operações. “Naquele instante partimos para a diversificação. Foi um ano difícil, mas com o empenho de todos, conseguimos ampliar nossa carteira de clientes e chegamos a levar uma de nossas carretas da saúde para atender no Paraguai”, comemora Iseli.

foto de iseli reis ceo fleximedical e cofundadora

Em 2019, com 4 clientes, foi consolidado o plano de reestruturação que posicionou a empresa, após mais de uma década de criação, como startup de inovação e soluções em saúde. Uma healthtech. “Não produzimos carretas customizadas de todos os tipos. Nosso foco é a solução móvel exclusivamente na área da saúde. Essa é a nossa maior expertise. Sempre com o DNA do Amor que é a atenção no usuário, tanto pacientes quantos profissionais de saúde que trabalhem nas unidades”, enfatiza a hoje CEO que foi selecionada para o maior programa de investimentos das Américas, o eMerge.

Pandemia

Em 2020, quando tudo ia “de vento em popa”, um novo desafio, instalou-se a pandemia da Covid-19. Enquanto muitas empresas foram obrigadas a fecharem suas portas, por não serem consideradas serviços essenciais, a Fleximedical foi convocada a acelerar sua produção. A carteira de clientes foi aumentada para 7, incluindo recorrentes.

Tomando medidas de prevenção e segurança para sua equipe, como equipamentos individuais de proteção, cabine de desinfecção e apoio psicológico para o time, a Fleximedical recebeu inúmeros pedidos de unidades móveis de saúde emergenciais para o enfrentamento ao novo coronavírus.

A urgência imposta pelos riscos da Covid-19, levou a empresa a reduzir seu tempo entrega. Construções, que antes eram criadas em 90 dias, passaram a ser preparadas e entregues após 20 e 45 dias, incorporando novas tecnologias como luz UVC automatizadas, para desinfecção e revestimentos antimicrobianos para segurança.

“Com a dificuldade em conseguir insumos de fornecedores que não eram considerados essenciais e, tiveram sua produção paralisada, percebemos como é fundamental o trabalho intersetorial e de rede. Foi preciso ligar para os donos das fábricas de matéria-prima e sensibilizá-los para a necessidade de nossa produção para salvar vidas. Acredito que se não fosse nosso posicionamento neste ecossistema não teríamos conseguido”, aponta Iseli.

Foram mais 10 unidades entregues para triagem; testagem; diagnóstico, com tomógrafos instalados dentro das carretas e contêineres; que, até setembro de 2020, atenderam mais de 35 mil pacientes e, continuam a atender.

As unidades foram instaladas em hospitais de campanha, centros médicos e, até mesmo em ruas e avenidas de fácil acesso.

Rumo ao Futuro

Para o futuro próximo já estamos em desenvolvimento e MVP de uma solução portável, extremamente compacta para a vacinação, de modo que não ocorram as enormes filas e aglomerações causadas na época da febre-amarela, em 2018. Outras tecnologias que também estão sendo incorporadas são a Internet das Coisas e a telemedicina.

Para mais informações, entre em contato em comunicacao@fleximedical.net  

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